Os clientes da Albert Heijn, maior rede de supermercados dos Países Baixos, já conseguem acessar o site e o aplicativo da empresa, mas ainda não podem fazer pedidos de supermercado pela internet. A controladora Ahold Delhaize prevê a retomada gradual das entregas a partir de sexta-feira (23), após um incidente de cibersegurança que interrompeu serviços digitais em diversos países.

Na segunda-feira (19), a companhia confirmou que a atividade suspeita detectada em sua infraestrutura de TI foi provocada por ações maliciosas de terceiros. O grupo também apresentou uma denúncia formal à polícia neerlandesa, uma semana depois de divulgar publicamente o incidente, em 12 de outubro.

A empresa havia desativado preventivamente parte de seus sistemas, incluindo sites e aplicativos de marcas na Europa e nos Estados Unidos. As lojas físicas permaneceram abertas, embora algumas operações tenham enfrentado dificuldades de abastecimento.

Frans Muller, presidente e CEO da Ahold Delhaize, afirmou que a retirada dos sistemas do ar foi uma medida preventiva que atingiu a maioria das marcas do grupo nos dois continentes. Segundo o executivo, os resultados da investigação até agora confirmam que a decisão foi apropriada.

Sites recuperados, mas entregas ainda interrompidas

A recuperação da Albert Heijn mostra a diferença entre restabelecer uma plataforma digital e recuperar sua capacidade de vender e entregar produtos.

O site e o aplicativo voltaram a funcionar em 18 de outubro, permitindo novamente o acesso a contas pessoais, programas de fidelidade, descontos e informações sobre produtos. Entretanto, novos pedidos de supermercado continuavam indisponíveis na atualização de 19 de outubro.

A rede confirmou o cancelamento de todas as entregas programadas até quinta-feira (22). Clientes que já haviam pago pelos pedidos cancelados deverão receber reembolsos automáticos nos dias seguintes.

O abastecimento das lojas físicas, por outro lado, já havia retornado ao ritmo regular, incluindo produtos frescos e não perecíveis. Isso significa que a recuperação logística das unidades físicas avançou antes da retomada das entregas domiciliares.

A interrupção tem peso comercial relevante: as vendas online representam aproximadamente 10% das vendas da Albert Heijn, segundo a Reuters.

Em outros mercados, a recuperação apresenta estágios diferentes. Na Bélgica, os serviços de comércio eletrônico já haviam sido integralmente restabelecidos em 19 de outubro. Na Europa Central e no Sudeste Europeu, a maioria dos sites e aplicativos estava disponível novamente.

Nos Estados Unidos, marcas como Stop & Shop, Giant Food, Hannaford e Food Lion ainda enfrentavam interrupções digitais. A Ahold Delhaize informou que esperava recuperar os serviços de e-commerce nos dias seguintes, sem estabelecer uma data específica.

A companhia também revelou ter notificado o Centro Nacional de Cibersegurança dos Países Baixos (NCSC) em até 24 horas após detectar a atividade maliciosa.

A investigação permanece em andamento. Até 19 de outubro, a Ahold Delhaize afirmava não ter encontrado evidências de extração de dados sensíveis de clientes, funcionários ou parceiros. A empresa não identificou publicamente os responsáveis pelo ataque nem divulgou detalhes técnicos sobre o método utilizado.

Continue no Radar