A Alemanha pode deixar de gerar €155 bilhões por ano em valor econômico adicional caso a União Europeia endureça as regras de acesso a dados utilizados no treinamento de inteligência artificial. A estimativa foi divulgada nesta terça-feira (13) pelo instituto alemão ifo, com base em uma simulação dos efeitos de possíveis restrições regulatórias.

O estudo calcula que a IA generativa poderia acrescentar €440 bilhões anuais à economia alemã até 2034. Limitações mais severas aos dados de treinamento reduziriam esse potencial em aproximadamente 35%, principalmente devido ao desenvolvimento de modelos menos eficientes e à adoção mais lenta da tecnologia pelas empresas.

Os pesquisadores identificaram três fontes para o potencial econômico projetado: €330 bilhões provenientes da utilização generalizada de IA, €65 bilhões de ganhos de produtividade na pesquisa e €45 bilhões do desenvolvimento de inteligência artificial na Alemanha.

Modelos menos eficientes representam €75 bilhões dos €155 bilhões estimados

A maior parcela da redução projetada está associada à qualidade dos modelos. Segundo os cálculos, sistemas treinados com acesso mais limitado a dados poderiam representar €75 bilhões anuais em ganhos econômicos não realizados.

Breakdown of the estimated €155 billion annual reduction in Germany’s AI economic potential. Source: ifo Institute and Implement Consulting Group.
Horizontal bar chart showing estimated annual reductions of €75 billion from less capable AI models, €45 billion from slower adoption, €25 billion from reduced research, and €10 billion from reduced AI development.

Outros €45 bilhões estariam relacionados à adoção mais lenta da tecnologia, enquanto €25 bilhões decorreriam da redução do potencial de pesquisa. Os €10 bilhões restantes corresponderiam à menor atividade de desenvolvimento de IA na Europa.

A diferença na disponibilidade de dados ajuda a explicar a preocupação dos pesquisadores. O maior conjunto europeu de dados livres de direitos autorais contém aproximadamente 2 a 3 trilhões de tokens, unidades utilizadas no processamento de textos por modelos de linguagem. Sistemas internacionais avançados, em comparação, já utilizam entre 15 e 36 trilhões de tokens em seu treinamento.

Para Oliver Falck, diretor do Centro de Economia da Inovação e Transformação Digital do ifo, dificultar o acesso a esses materiais compromete a capacidade europeia de desenvolver modelos competitivos.

A discussão ocorre durante a revisão da Diretiva de Direitos Autorais pela Comissão Europeia, iniciada em maio de 2026. Os autores defendem preservar a exceção que permite a mineração de textos e dados para fins comerciais, combinada com requisitos proporcionais de transparência, mecanismos de oposição dos titulares de direitos e acordos voluntários de licenciamento.

Os €155 bilhões não representam perdas já registradas nem uma previsão econômica definitiva. O próprio ifo ressalta que os valores são estimativas de potencial, condicionadas às hipóteses utilizadas na modelagem.

A pesquisa foi desenvolvida pela Implement Consulting Group em colaboração com o instituto ifo, sob encomenda da CCIA Europe e do Google, organizações com interesses no debate sobre acesso a dados para treinamento de IA.

Os resultados acrescentam uma estimativa econômica à discussão regulatória europeia, mas não demonstram que as restrições analisadas serão necessariamente adotadas ou produzirão os efeitos calculados.

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