O New York Times e outros três jornais americanos entraram com ações judiciais contra a Brave Software nesta segunda-feira (2), em um tribunal federal de Manhattan, nos Estados Unidos. As publicações acusam a empresa responsável pelo navegador Brave de copiar reportagens protegidas por direitos autorais e comercializar seu conteúdo com desenvolvedoras de inteligência artificial sem autorização.

Os processos foram apresentados separadamente pelo New York Times e por um grupo formado pelo New York Daily News, Chicago Tribune e Orlando Sentinel. Segundo a Reuters, os autores alegam que a Brave utiliza sua infraestrutura de coleta e indexação de páginas para fornecer conteúdo jornalístico a empresas de IA.

Entre as companhias mencionadas nas ações estão Anthropic, Perplexity, Mistral, xAI e Cohere. Elas são apontadas como possíveis destinatárias do material, mas não figuram como rés nos processos.

As acusações envolvem o uso de conteúdo jornalístico para treinamento de modelos de linguagem e serviços capazes de responder a perguntas com informações retiradas da internet.

Graham James, porta-voz do New York Times, afirmou à Reuters que a Brave “desrespeitou a legislação consolidada de direitos autorais” e ignorou pedidos repetidos do jornal para interromper as práticas contestadas.

Processos também questionam acesso a conteúdo protegido por assinaturas

Além da coleta e comercialização de reportagens, os jornais acusam a Brave de permitir que usuários de seu navegador contornem barreiras de pagamento para acessar artigos normalmente disponíveis apenas a assinantes.

As ações também questionam práticas relacionadas à remoção de anúncios dos veículos e à monetização de conteúdo por meio dos serviços da Brave.

O New York Times solicita à Justiça uma ordem para interromper as supostas infrações e uma indenização por danos.

Procuradas pela Reuters, Brave, Anthropic e xAI não haviam apresentado respostas até a publicação da reportagem. A Perplexity, embora não seja ré, criticou as alegações envolvendo a empresa.

Os processos ampliam a disputa judicial sobre o uso de conteúdo protegido por direitos autorais na inteligência artificial, incluindo empresas que coletam e distribuem informações para terceiros. As acusações ainda dependem de avaliação judicial, e não há decisão que estabeleça responsabilidade da Brave.

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