A QCP Group publicou na sexta-feira (14) uma análise em que aponta o estouro da bolha de inteligência artificial de Wall Street, avaliada em US$ 800 bilhões, como a maior ameaça ao próximo ciclo do mercado de criptomoedas. O texto destaca que a ligação entre o capital institucional investido em IA e o setor cripto tornou os dois mercados vulneráveis a um colapso conjunto.
Relação entre IA e criptomoedas
O presidente-executivo da Alphabet, Sundar Pichai, afirmou que nenhuma empresa estará imune se a bolha de IA estourar. O Fundo Monetário Internacional (FMI), no Relatório de Estabilidade Financeira Global de 2026, trata do que chama de 'tríplice bolha' interconectada de inteligência artificial, criptomoedas e dívida soberana.
No Outlook de Ativos Digitais do 3º trimestre de 2026, o QCP Group destacou que o Bitcoin segue como um ativo de alta beta, institucionalmente adotado, mas dependente dos rendimentos reais, dos fluxos de ETF e do apetite ao risco. No primeiro trimestre de 2026, o capital institucional dos EUA migrou das criptomoedas para ações de IA, concentrando-se em semicondutores e infraestrutura de computação, enquanto o Bitcoin não conseguiu manter uma tendência duradoura.
Os gastos com infraestrutura de IA das quatro grandes empresas de tecnologia passaram de US$ 725 bilhões para quase US$ 800 bilhões. A reabertura das ofertas públicas iniciais favoreceu papéis ligados a IA, como a SpaceX, que abriu capital em junho com valor de mercado de cerca de US$ 1,77 trilhão e captação de aproximadamente US$ 75 bilhões.
Riscos para stablecoins e desalavancagem
A análise também destaca o papel das stablecoins, cuja oferta total chegou a cerca de US$ 315-320 bilhões no primeiro trimestre de 2026. Como esses ativos são lastreados em reservas tradicionais, como títulos do Tesouro dos EUA, um estouro da bolha de IA poderia provocar pânico e uma crise de liquidez, espalhando o contágio para o sistema financeiro tradicional.
O cofundador da BitMEX, Arthur Hayes, comparou o atual boom de IA às bolhas ferroviárias do século XIX e alertou para um descasamento nos financiamentos de GPUs: empréstimos de cinco anos para hardware que se torna obsoleto em dois. Na avaliação dele, se modelos chineses mais baratos superarem os concorrentes ocidentais, o evento de crédito pode ser 'maior que o subprime'.
Em um cenário de estouro, a publicação prevê uma cascata de desalavancagem, com chamadas de margem contra fundos de hedge e intermediários financeiros não bancários, gerando vendas em ciclo tanto em ações de tecnologia quanto em criptomoedas. O Bitcoin e outros ativos líquidos de camada 1 funcionariam como 'caixas eletrônicos' do sistema, sendo vendidos para cobrir perdas. Tokens especulativos de IA e memecoins, que dependem da liquidez abundante de Wall Street, desapareceriam.
Após a desalavancagem, no entanto, a análise aponta que um novo ciclo de desacoplamento pode começar, com o Bitcoin se beneficiando da narrativa de escassez e de proteção contra a desvalorização da dívida soberana, que já supera US$ 100 trilhões. "O capital acabará saindo das ações de IA supervalorizadas e dos bancos para o ouro e o Bitcoin", afirmou Hayes. O QCP Group resumiu: "Quando o caixa paga um retorno real atraente, o mercado precisa de uma razão melhor para manter um hedge sem rendimento".
A conclusão é que a bolha de IA não representa o fim das criptomoedas, mas um teste que forçará os ativos digitais a competirem por méritos estruturais próprios, em vez de dependerem do entusiasmo tecnológico de Wall Street.



