Cerca de US$ 287,1 milhões em criptomoedas roubadas permanecem em endereços identificados na blockchain, mas sem mecanismos disponíveis para bloquear sua movimentação. O dado faz parte de um levantamento divulgado pela empresa de segurança Blockaid na segunda-feira (19), que analisou 60 ataques ocorridos entre janeiro e agosto de 2026.

Os incidentes provocaram perdas estimadas em US$ 1,18 bilhão. Até 2 de setembro, apenas US$ 9,8 milhões haviam sido devolvidos às vítimas, o equivalente a 0,8% do total. Outros US$ 81,4 milhões estavam congelados, mas ainda não haviam sido restituídos. Somente cinco dos 60 ataques registraram algum congelamento ou recuperação de recursos.

Por que localizar criptomoedas roubadas não significa recuperar o dinheiro

Os US$ 287,1 milhões identificados pela Blockaid estão distribuídos entre 16 incidentes. Grande parte corresponde a ativos como Bitcoin, Ether e determinados tokens que não possuem uma entidade central capaz de impedir transferências diretamente de um endereço.

A maior concentração está relacionada ao ataque ao protocolo Drift, ocorrido em abril. Aproximadamente US$ 229 milhões permaneciam associados a esse incidente, incluindo cerca de 107 mil ETH distribuídos entre três endereços controlados pelos invasores.

Mesmo quando existe um mecanismo de congelamento, bloquear os ativos não significa devolvê-los aos proprietários. O levantamento identificou US$ 91,2 milhões entre valores congelados e recuperados, dos quais US$ 90,4 milhões foram protegidos por mecanismos operados por protocolos, órgãos de governança ou validadores.

A velocidade dos criminosos também dificulta a recuperação. Nos 59 incidentes com dados disponíveis sobre movimentação, o tempo mediano até a primeira transferência foi de apenas 17 minutos. Em 40 casos, os recursos começaram a ser movimentados na primeira hora; em 13, isso ocorreu no primeiro minuto.

Ido Ben-Natan, cofundador e CEO da Blockaid, destacou que 17 minutos representam uma janela extremamente curta para uma equipe de segurança detectar o ataque, localizar os recursos e coordenar uma resposta.

Segundo a empresa, a possibilidade de intervenção depende dos mecanismos disponíveis em cada rede ou ativo. Transferências posteriores para corretoras ou ativos com recursos de bloqueio podem abrir novas oportunidades de recuperação, mas não garantem a restituição dos valores.

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