Estados Unidos e China vão abrir neste domingo (20) uma rodada de negociações em Nova York que inclui segurança de inteligência artificial, em uma tentativa de avançar em possíveis salvaguardas para sistemas avançados antes do encontro entre Donald Trump e Xi Jinping, marcado para esta semana em Washington. As conversas serão lideradas pelo secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, e pelo vice-premiê chinês He Lifeng.

A reunião está prevista para começar às 10h30 no horário de Nova York e deve se estender ao longo do dia. O representante comercial dos EUA, Jamieson Greer, também participará. Além da IA, a agenda inclui tarifas, minerais críticos e a trégua comercial entre as duas maiores economias do mundo, que expira em 10 de novembro.

No campo da inteligência artificial, Washington pretende discutir possíveis “guardrails”, ou salvaguardas, para reduzir riscos associados a modelos cada vez mais capazes. Bessent afirmou que espera abordar tanto modelos de pesos abertos quanto sistemas fechados — uma divisão que ganhou importância conforme modelos chineses de código e pesos mais acessíveis ampliam sua adoção fora do país.

Modelos de pesos abertos permitem que desenvolvedores baixem componentes centrais do sistema e façam ajustes para aplicações próprias. Empresas chinesas vêm ganhando espaço nesse segmento, inclusive entre companhias americanas atraídas por custos mais baixos em relação a plataformas fechadas de desenvolvedores como OpenAI e Anthropic.

Washington quer barreiras contra uso malicioso de modelos

Bessent disse que os EUA estão abertos a discutir com Pequim formas de evitar riscos compartilhados e uma separação completa entre os ecossistemas de IA dos dois países. O secretário também defendeu salvaguardas destinadas a impedir que modelos avançados cheguem a atores não estatais considerados maliciosos.

A aproximação ocorre em meio a discussões mais amplas sobre riscos de sistemas autônomos. Especialistas americanos e chineses envolvidos em um diálogo paralelo recomendaram recentemente medidas como manutenção de controle humano sobre operações cibernéticas de alto impacto, proteção de sistemas de comando nuclear e criação de um canal bilateral para incidentes envolvendo IA autônoma. As propostas, porém, não foram formalmente adotadas pelos dois governos.

A reunião deste domingo também funciona como preparação para o encontro entre Trump e Xi, previsto para 24 de setembro em Washington. O governo chinês confirmou que He lidera uma delegação nos EUA entre 19 e 23 de setembro para consultas econômicas e comerciais, embora seu comunicado oficial não detalhe a parte da agenda dedicada à inteligência artificial.

Não há indicação de que a rodada de Nova York produzirá um acordo amplo sobre IA. As negociações ocorrem enquanto Washington e Pequim continuam competindo em áreas como modelos avançados, semicondutores e infraestrutura computacional, mas passam a discutir também mecanismos para administrar riscos que poderiam afetar os dois lados.

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