O Google anunciou nesta terça-feira (3) que passará a desativar por padrão a Busca e suas ferramentas de inteligência artificial nas contas de estudantes do ensino básico e médio. A mudança, prevista para o início de 2027, exigirá que administradores escolares autorizem o acesso aos serviços. Há, porém, uma condição: escolas que rejeitarem completamente a IA também ficarão sem a Busca do Google nas contas dos alunos.
A decisão foi detalhada pelo vice-presidente de educação do Google, Chris Phillips, em declarações ao The New York Times. Segundo o executivo, “a Busca e a inteligência artificial estão profundamente integradas”. Por isso, estudantes de instituições que proibirem esses recursos não poderão utilizar o buscador por suas contas escolares e verão uma mensagem informando que o serviço está indisponível.
A alteração envolve o Gemini, o Gemini Notebook, o Gemini no Classroom e o Google Search. Os administradores poderão habilitar os serviços individualmente, mas não haverá uma opção de Busca convencional sem recursos de IA integrados. A restrição se refere às contas educacionais gerenciadas pelas instituições, não ao acesso público ao buscador.
Escolas terão duas opções de Busca, ambas com IA
Para instituições que decidirem manter o Google Search, a empresa oferecerá duas modalidades a partir do início de 2027. A primeira preservará os resumos produzidos por inteligência artificial e os recursos de conversação. A segunda utilizará o Guided Learning, versão educacional do Gemini desenvolvida para orientar os estudantes durante a resolução de problemas.
Segundo o Google, o Guided Learning pretende incentivar o raciocínio em vez de simplesmente entregar respostas prontas. A ferramenta poderá apresentar perguntas intermediárias e explicações progressivas quando identificar pesquisas relacionadas a tarefas escolares.
O recurso chegou globalmente ao Google Classroom em 3 de novembro, permitindo que professores atribuam atividades orientadas por IA e acompanhem o progresso dos estudantes. A integração com a Busca começará a ser testada em escolas selecionadas dos Estados Unidos ainda em novembro.
A nova política também representa uma reversão da estratégia adotada em agosto, quando o Google ativou recursos do Gemini no Classroom por padrão em instituições que já haviam autorizado o uso do chatbot. A iniciativa provocou críticas de educadores que defendiam maior controle sobre a tecnologia.
A discussão ganhou força depois que grandes redes escolares, incluindo as de Nova York e Los Angeles, restringiram o uso de IA generativa por estudantes. Em Los Angeles, autoridades educacionais haviam manifestado interesse em manter a Busca tradicional sem os resumos automáticos, possibilidade que a nova configuração do Google não contempla.
A empresa afirmou que divulgará orientações adicionais nos próximos meses, antes da implementação dos novos controles.



