O investimento global em inteligência artificial está excessivamente concentrado em grandes empresas de tecnologia e já pressiona o financiamento de setores tradicionais, segundo uma das principais autoridades de regulação financeira da China. O alerta foi feito nesta terça-feira (3) por Xiao Yuanqi, vice-presidente da Administração Nacional de Regulação Financeira do país, durante um encontro de líderes financeiros em Hong Kong.

Em declarações divulgadas pela Reuters, Xiao afirmou que o fluxo intenso de recursos para empresas líderes do setor tecnológico elevou os níveis de alavancagem, aumentando a dependência de capital emprestado e criando condições para uma expansão excessivamente acelerada.

O problema, segundo ele, ultrapassa os limites da indústria de tecnologia. A concentração de investimentos em inteligência artificial provoca um efeito de deslocamento de capital, dificultando o acesso de empresas tradicionais ao financiamento.

O aumento dos custos de empréstimos e das despesas financeiras reduz a capacidade dessas companhias de reinvestir em suas operações e ampliar a produção. Ao mesmo tempo, eleva os riscos de crédito associados a esses negócios.

Durante a Cúpula de Líderes Financeiros Globais, organizada pela Autoridade Monetária de Hong Kong, Xiao defendeu a criação de políticas específicas para administrar os efeitos econômicos da expansão da IA, com atenção à estabilidade financeira e aos riscos decorrentes da concentração de recursos.

O posicionamento ocorre em meio aos esforços de Pequim para ampliar o uso da inteligência artificial na economia. Em 9 de outubro, o governo chinês divulgou diretrizes para o desenvolvimento de novas forças produtivas, incluindo a modernização de indústrias tradicionais por meio da IA.

O documento também advertiu contra investimentos indiscriminados, formação de bolhas e enfraquecimento da estrutura industrial. As orientações buscam conciliar o avanço de tecnologias emergentes com a preservação da capacidade produtiva de outros setores da economia.

Xiao não anunciou novas restrições aos investimentos em inteligência artificial. Sua recomendação foi que os formuladores de políticas públicas preparem mecanismos de gestão macroeconômica e prevenção de riscos financeiros adaptados às transformações provocadas pela tecnologia.

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