A LOGINK, plataforma estatal chinesa criada para conectar dados de portos, alfândegas e empresas de transporte, perdeu parte relevante de sua presença internacional após projetos com países asiáticos e portos europeus estagnarem. A retração ocorre em meio à pressão dos Estados Unidos e a problemas financeiros e judiciais na China, segundo apuração da Reuters.

A mudança contrasta com a expansão promovida por Pequim durante mais de uma década. Em 2023, um relatório posteriormente publicado pelo governo americano estimou que a cobertura da LOGINK equivalia a aproximadamente 40% do fluxo global de contêineres, considerando o volume movimentado nos portos alcançados pelo sistema.

O principal projeto internacional da plataforma, que conectava sistemas logísticos de China, Japão e Coreia do Sul, praticamente parou. Pequim cancelou uma reunião prevista para março de 2024 e os três países não voltaram a se reunir desde então.

O Japão também deixou de receber dados da LOGINK. Uma autoridade do Ministério dos Transportes japonês afirmou que o acesso havia sido interrompido havia mais de um ano e que o governo não conseguia contato com seus interlocutores chineses.

Projetos na Europa também estagnaram

Na Europa, um acordo de 2017 com o porto português de Sines não produziu avanços relevantes. Outro memorando, firmado em 2019 com a Portbase, ligada ao porto de Rotterdam, permaneceu na fase exploratória.

A LOGINK também deixou, em 2024, a International Port Community Systems Association após interromper o pagamento das contribuições. O projeto internacional de compartilhamento de dados do qual participava está atualmente inativo.

Nos Estados Unidos, a plataforma passou a ser tratada como um risco econômico e de segurança. Autoridades americanas alertaram que o sistema poderia dar ao governo chinês acesso a informações sobre rotas, cargas e fluxos comerciais. Washington posteriormente restringiu seu uso em contratos e infraestrutura financiados pelo governo.

Operação chinesa enfrenta processos

Os problemas também chegaram à operação doméstica. A entidade comercial ligada ao centro da LOGINK em Wenzhou enfrenta desde janeiro de 2024 pelo menos 39 processos judiciais, somando cerca de US$ 1,3 milhão, incluindo disputas trabalhistas e contas não pagas.

Em setembro, o escritório de Wenzhou foi encontrado aparentemente sem atividade, enquanto o site da plataforma está fora do ar desde aproximadamente 2024.

A Reuters não conseguiu determinar a causa direta da retração internacional. Apesar disso, a LOGINK continua presente nos planos domésticos de Pequim. Em junho, o Ministério dos Transportes publicou diretrizes defendendo maior integração da plataforma com fluxos de dados internos, indicando que o governo chinês ainda pretende preservar sua função na infraestrutura logística nacional.

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