A chinesa Moonshot AI, desenvolvedora dos modelos Kimi, está em negociações para encerrar uma disputa societária com a Recurrent.ai e seus investidores antes de uma possível abertura de capital em Hong Kong. A informação foi revelada pela Reuters em investigação publicada em 11 de outubro. A reivindicação financeira pode superar US$ 700 milhões, segundo uma fonte familiarizada com o caso.

O conflito tramita em arbitragem em Hong Kong desde 2024 e envolve o CEO da Moonshot, Yang Zhilin, e seu diretor de tecnologia, Zhang Yutao. Ambos fundaram a Recurrent em 2016, antes de criarem a Moonshot em 2023, e continuam vinculados à estrutura societária da primeira empresa.

Recurrent reivindica compensação equivalente a 10,5% das ações originais

A Recurrent recebeu 9,5% das ações originais da Moonshot quando a startup foi fundada. Agora, a empresa e parte de seus investidores reivindicam uma compensação adicional equivalente a 10,5% dessas ações originais.

Uma pessoa consultada pela Reuters estimou que a reivindicação poderia ultrapassar US$ 700 milhões, considerando a avaliação de US$ 30 bilhões atribuída à Moonshot em uma rodada de financiamento realizada em junho. O montante é uma estimativa, não um valor acordado entre as partes.

A disputa envolve acusações de que Yang e Zhang teriam criado a Moonshot sem autorização do conselho da Recurrent, fornecido informações falsas a investidores e utilizado recursos da antiga empresa em benefício próprio.

Uma carta enviada em março pelos advogados da Recurrent também acusa os executivos de transferir servidores com dados de modelos de inteligência artificial sem autorização e determinar a exclusão de outros arquivos. A Reuters não conseguiu verificar independentemente essas alegações.

Yang já havia negado as acusações em 2024, conforme relatos de veículos chineses. Naquele ano, representantes jurídicos dos executivos também contestaram os fundamentos legais e factuais do processo.

A disputa ocorre enquanto a Moonshot prepara sua entrada no mercado acionário. Em setembro, a Reuters revelou que a companhia havia apresentado confidencialmente documentos para um IPO em Hong Kong.

Uma fonte próxima ao conflito afirmou que a disputa não deve inviabilizar a oferta, mas sua continuidade pode levantar questionamentos sobre governança, estrutura acionária e divulgação de informações aos investidores.

As negociações para um acordo ainda não têm prazo conhecido para conclusão. Tampouco foram divulgados termos financeiros definitivos ou uma data confirmada para a abertura de capital.

Continue no Radar