A Polícia da Austrália Ocidental realizou 1.380.882 leituras faciais durante um experimento de reconhecimento facial em tempo real em espaços públicos. O balanço, divulgado nesta segunda-feira (2), registra 122 prisões e nove alertas incorretos. As operações terminaram em 31 de outubro, após pouco mais de quatro meses de testes.
Entre 22 de junho e 31 de outubro, a corporação realizou 100 operações em 43 localidades, incluindo áreas metropolitanas e regionais. O sistema gerou 292 alertas, permitiu identificar e abordar 146 infratores sexuais registrados e localizou dez pessoas para verificações de bem-estar.
As câmeras foram instaladas em veículos policiais identificados ou nas proximidades deles. O equipamento comparava os rostos captados com uma lista de imagens mantida pela polícia e sinalizava possíveis correspondências para avaliação dos agentes.
Segundo a corporação, imagens de pessoas que não correspondiam à lista eram automaticamente pixelizadas e descartadas, sem armazenamento dos dados biométricos. O relatório não especifica quantas das 122 prisões decorreram diretamente dos alertas produzidos pela tecnologia.
Nove alertas incorretos representam 3,08% das identificações sinalizadas
Um dos principais resultados divulgados pela polícia foi a proporção de identificações incorretas. A instituição informou uma taxa de erro de 0,00065%, calculada sobre o total de 1,38 milhão de leituras faciais realizadas.
Entretanto, quando os mesmos nove erros são comparados aos 292 alertas efetivamente gerados, eles representam 3,08% das sinalizações. Isso significa que aproximadamente três em cada cem alertas foram classificados como incorretos.
Os dois percentuais estão matematicamente corretos, mas medem aspectos diferentes. O primeiro considera todas as leituras realizadas, incluindo aquelas que não produziram alertas. O segundo considera apenas as situações em que o sistema apontou uma possível correspondência.
Essa distinção é importante porque nenhum dos indicadores, isoladamente, demonstra a precisão total da tecnologia. Os números divulgados também não permitem determinar quantas pessoas procuradas podem ter passado pelas câmeras sem serem identificadas.
O comissário de polícia Col Blanch reconheceu que a tecnologia não era perfeita. Em declarações reproduzidas pelo The Guardian, confirmou que os nove alertas incorretos provocaram abordagens para verificação de identidade, mas nenhum resultou em prisão ou reclamação formal.
Organizações de direitos civis questionaram a interpretação dos resultados e os riscos associados à vigilância biométrica. Sarah Schwartz, diretora jurídica do Human Rights Law Centre, alertou que identificações equivocadas podem levar pessoas a serem abordadas, interrogadas ou investigadas por causa de erros do algoritmo.
As preocupações também incluem a proporcionalidade do monitoramento em espaços públicos e o emprego da tecnologia em manifestações.
O experimento entrou agora em fase de avaliação interna, que examinará o desempenho técnico, a eficácia operacional, os impactos sobre a comunidade e o cumprimento das regras de governança. Os veículos de vigilância foram retirados das operações públicas enquanto a análise é conduzida. A polícia ainda não anunciou uma decisão definitiva sobre a continuidade do programa.



