A Nvidia ficou com 34% do mercado chinês de chips para inteligência artificial em data centers no primeiro semestre de 2026, enquanto a Huawei alcançou 28%. Os números fazem parte de um relatório da IDC obtido pela Reuters e divulgado nesta terça-feira (13), que também revela uma mudança na composição dos aceleradores utilizados no país.
Entre janeiro e junho, a Nvidia enviou 678 mil aceleradores de IA à China, uma queda de 44% em relação ao mesmo período de 2025. A Huawei comercializou 572 mil unidades, ante pouco mais de 300 mil um ano antes, reduzindo a distância entre as duas fabricantes.
A perda de participação da empresa americana ocorre em meio às restrições de exportação impostas por Washington, que limitam o fornecimento de seus processadores mais avançados. Paralelamente, Pequim incentiva a adoção de alternativas nacionais e exige autorização para a importação de determinados chips da Nvidia.
Outras fabricantes chinesas também ampliaram sua presença. A divisão T-Head, da Alibaba, respondeu por 7% dos aceleradores enviados, seguida por Cambricon (5%), Kunlunxin, da Baidu (4%), e Hygon (3%). Das 11 fabricantes chinesas acompanhadas pela IDC, nove registraram crescimento no volume de unidades.
Aceleradores alternativos superam GPUs em volume na China
A transformação mais ampla aparece na distribuição dos tipos de processadores. Pela primeira vez nos dados apresentados, aceleradores que não utilizam a arquitetura tradicional de GPU superaram as GPUs em volume de envios no mercado chinês.
Dos aproximadamente 2 milhões de aceleradores enviados no primeiro semestre, 1,016 milhão eram chips alternativos, crescimento de quase 80% em relação ao ano anterior. As GPUs tradicionais somaram 991 mil unidades, após uma retração de 26%.
O segmento alternativo é dominado por fabricantes nacionais. Huawei, T-Head, Kunlunxin e Cambricon concentraram 95% desses envios, atendendo à demanda de órgãos governamentais, empresas de internet e operadoras de telecomunicações.
Esses aceleradores incluem processadores especializados em tarefas específicas de inteligência artificial, como a execução de modelos já treinados. As GPUs, por sua vez, continuam amplamente utilizadas no treinamento de sistemas de IA.
A distinção é importante porque os números da IDC representam unidades enviadas, não capacidade computacional ou receita. Um maior volume de aceleradores alternativos não significa necessariamente que eles ofereçam desempenho equivalente ou superior ao das GPUs mais avançadas.
A consultoria também identifica uma mudança nos critérios de competição, com maior atenção ao desempenho de sistemas completos e à capacidade de operar múltiplos processadores em conjunto, em vez de avaliar somente chips individuais.
Para o conjunto de 2026, a IDC projeta crescimento de 19% no volume total de aceleradores enviados à China, mesmo com uma queda estimada de 9% nas remessas de GPUs. As projeções indicam que a expansão do mercado pode continuar concentrada em arquiteturas alternativas.



