A OpenAI fechou nesta terça-feira (8) um acordo de vários anos com a australiana Firmus para contratar capacidade dedicada de computação em dois novos data centers de inteligência artificial na Malásia, ampliando a presença de infraestrutura avançada de IA no Sudeste Asiático. A parceria foi anunciada pela própria Firmus e transforma a desenvolvedora do ChatGPT em cliente âncora dos projetos.
A quantidade de capacidade reservada especificamente pela OpenAI e o valor financeiro do contrato não foram divulgados. Com o novo acordo, porém, a Firmus afirma ter ultrapassado 900 megawatts de capacidade contratada entre todos os seus clientes.
Os centros na Malásia fazem parte de uma rede de sete “AI factories” planejadas pela companhia em quatro países da Ásia-Pacífico. Duas instalações já estão operacionais, na Austrália e em Singapura, enquanto outras cinco estão em desenvolvimento e têm previsão de entrar em serviço ao longo dos próximos 24 meses.
A infraestrutura ligada à expansão usará sistemas baseados na próxima geração de aceleradores Nvidia Vera Rubin, que a Firmus pretende implantar em escala na região. A Nvidia também é investidora da companhia, ao lado de nomes como Coatue, Jane Street e fundos da Blackstone.
Malásia ganha peso na infraestrutura global de IA
A escolha da Malásia ocorre em meio a uma aceleração dos investimentos em data centers no país. Dados oficiais da Malaysian Investment Development Authority (MIDA) mostram que projetos de data centers e computação em nuvem somaram RM 95,8 bilhões em investimentos aprovados no primeiro semestre de 2026, perto de 44% de todo o investimento aprovado no período.
A agência afirma que o país já está entre os dez principais destinos globais para projetos de data centers, segundo dados da UNCTAD, e vem priorizando instalações voltadas a cargas de IA. O avanço também levou o governo a aumentar o controle sobre novos projetos, exigindo disponibilidade comprovada de energia e água e critérios ambientais antes da aprovação.
Para a OpenAI, a capacidade contratada na Malásia se soma à corrida por infraestrutura necessária para treinar e operar modelos cada vez maiores. Sachin Katti, vice-presidente de estratégia de compute da empresa, afirmou que os novos centros deverão ajudar a atender à demanda crescente pelos produtos da OpenAI na região e em outros mercados.
O movimento também aprofunda a transformação do Sudeste Asiático em uma região que não apenas consome serviços de IA, mas passa a hospedar uma parcela maior da infraestrutura física que sustenta esses sistemas. A Firmus já desenvolve uma instalação de 360 MW em Batam, na Indonésia, planejada em parceria com a Nvidia, além de sua operação existente em Singapura.



