Robôs disponíveis hoje já têm capacidade para realizar 74% das tarefas físicas existentes no mercado de trabalho dos Estados Unidos, segundo um estudo da Anthropic publicado em 30 de setembro. Essas atividades representam cerca de 34% de todas as horas trabalhadas na economia americana, embora grande parte ainda dependa de ambientes controlados para ser automatizada.

A pesquisa analisou cerca de 19 mil tarefas de aproximadamente 900 ocupações da base O*NET. Para medir a exposição, os pesquisadores avaliaram se robôs existentes conseguem executar cada atividade e em que tipo de ambiente isso já é possível. Apenas capacidades demonstradas em implantações, produtos comerciais ou testes documentados foram consideradas.

Os empregos ligados a transporte aparecem entre os mais vulneráveis. Nove das dez ocupações mais expostas envolvem operação de veículos, com motoristas de táxi no topo do índice. Atividades de armazenagem também têm alta exposição, já que robôs conseguem movimentar, coletar e organizar mercadorias em centros logísticos estruturados.

A exposição não significa, porém, que esses postos possam ser substituídos imediatamente. Apenas 2% das tarefas físicas já podem ser realizadas por robôs em ambientes não estruturados, como ruas. Metade exige locais projetados especificamente para máquinas, como linhas de produção, enquanto outros 22% podem ser executados em ambientes humanos estruturados, como armazéns e hospitais.

O estudo também mostra que os trabalhadores mais expostos tendem a estar em uma posição econômica mais vulnerável. No grupo com maior exposição, a probabilidade de possuir diploma universitário é 55 pontos percentuais menor do que entre trabalhadores sem exposição, enquanto a remuneração é cerca de US$ 30 por hora inferior. A taxa de desemprego também é mais de duas vezes maior.

Custo ainda impede automação em escala

Apesar do alcance técnico, a substituição econômica permanece limitada. Os pesquisadores estimam que robôs são atualmente mais baratos que trabalhadores humanos em apenas 0,3% das tarefas. Entre as ocupações mais próximas dessa paridade estão empacotadores de armazéns e motoristas de táxi.

Para que máquinas se tornem competitivas em 10% do trabalho humano atual, seus custos precisariam cair aproximadamente 70%. Considerando a redução histórica de cerca de 3% ao ano nos preços de robôs, esse patamar levaria aproximadamente 40 anos para ser alcançado. Avanços mais rápidos em robôs humanoides, inteligência artificial ou processos de fabricação poderiam encurtar esse prazo.

Além do preço, capacidades físicas continuam sendo uma barreira. Limitações técnicas ainda impedem adoção em cerca de 70% das tarefas físicas, especialmente em atividades que exigem manipulação precisa de objetos. Preferências humanas e regulamentações também restringem a automação em setores como saúde, educação e cuidados pessoais.

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