A Shein concordou em pagar US$ 100 milhões para encerrar uma investigação da Federal Trade Commission (FTC), órgão de defesa do consumidor dos Estados Unidos, envolvendo atrasos nas entregas e reclamações de clientes. O valor foi revelado pela Reuters na sexta-feira (23), com base em uma fonte com conhecimento direto do acordo.

A varejista confirmou à agência de notícias que chegou a um “desfecho construtivo com a FTC” e afirmou que divulgará mais informações em breve. A empresa, porém, não confirmou publicamente o montante, enquanto o regulador norte-americano preferiu não comentar.

A quantia relatada equivale a aproximadamente 44% do lucro da Shein no segundo trimestre de 2026. A companhia já havia alertado, em documentos apresentados em julho para sua abertura de capital em Hong Kong, que a investigação poderia resultar em penalidades financeiras significativas.

Registros examinados pela Reuters reúnem mais de 12 mil reclamações

Documentos da FTC examinados pela Reuters mostram que consumidores registraram mais de 12 mil reclamações relacionadas à Shein entre janeiro de 2020 e junho de 2026. Os relatos envolvem compras que, somadas, ultrapassam US$ 11 milhões.

Parte das queixas descreve encomendas identificadas pela plataforma como entregues, embora os compradores afirmassem não ter recebido os produtos. Também aparecem relatos de dificuldades para solucionar os problemas por meio do atendimento ao cliente.

As reclamações foram apresentadas à FTC e ao Better Business Bureau, organização norte-americana que recebe queixas de consumidores sobre empresas.

A Reuters ressalta que não conseguiu verificar independentemente a veracidade das reclamações nem determinar quantas foram solucionadas. Portanto, os registros não representam 12 mil irregularidades comprovadas, assim como o valor das compras mencionadas não corresponde necessariamente a prejuízos confirmados.

Além de comercializar roupas de marca própria, a Shein opera um marketplace que reúne vendedores independentes de categorias como brinquedos, eletrodomésticos e artigos para casa. Essa estrutura amplia a diversidade de produtos e operações comerciais presentes na plataforma.

Nos Estados Unidos, a FTC mantém regras que exigem dos comerciantes comunicação adequada sobre atrasos no envio de mercadorias e a possibilidade de cancelamento com reembolso. Em 2020, a agência anunciou um acordo de US$ 9,3 milhões com a Fashion Nova por problemas relacionados a prazos de envio e devoluções. Os termos específicos do entendimento com a Shein, entretanto, ainda não foram divulgados.

A negociação ocorre enquanto a empresa enfrenta outras pressões regulatórias. Na União Europeia, novas tarifas sobre encomendas de baixo valor elevarão os custos de importação a partir de novembro. A Shein também continua sob investigação da Comissão Europeia por suspeitas relacionadas à comercialização de produtos ilegais em seu marketplace.

Até a divulgação dos detalhes do acordo norte-americano, permanecem desconhecidas as condições de pagamento e a eventual existência de medidas de compensação aos consumidores.

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