Investigadores democratas do Subcomitê Permanente de Investigações do Senado dos Estados Unidos afirmam que o USDT, stablecoin emitido pela Tether, tornou-se uma peça relevante da rede financeira paralela usada por atores ligados ao Irã para movimentar recursos fora do sistema bancário tradicional. A conclusão consta de relatório divulgado nesta segunda-feira (28) pelo senador Richard Blumenthal e pela equipe democrata do subcomitê.

A análise examinou 846 carteiras de criptomoedas que haviam sido sancionadas ou alvo de ordens de apreensão por autoridades dos Estados Unidos ou de Israel por associação com o governo iraniano e grupos ligados a Teerã. Segundo os investigadores, 84% dessas carteiras negociaram exclusivamente ou quase exclusivamente em USDT.

O relatório sustenta que a stablecoin vem sendo usada em operações para movimentar recursos para dentro e para fora do Irã e, em alguns casos, em estruturas relacionadas ao Banco Central iraniano. Por ser atrelado ao dólar e ter alta liquidez, o USDT funcionaria, segundo a investigação, como alternativa para redes com acesso limitado ao sistema financeiro tradicional devido às sanções.

Entre os casos citados está uma rede envolvendo dois negociadores de petróleo iranianos sancionados. Mais de US$ 603 milhões em USDT teriam passado pela estrutura entre 2021 e 2025, segundo o relatório, que afirma ter identificado conexões transacionais com instituições financeiras iranianas, Hezbollah e Houthis.

As conclusões são dos investigadores do Senado e não representam, por si só, uma determinação judicial sobre a origem ou a finalidade de cada transferência.

Relatório questiona velocidade dos bloqueios

A equipe também questiona a atuação da Tether diante de endereços identificados por autoridades. Os investigadores afirmam que, principalmente antes de 2024, a empresa não bloqueava de forma consistente carteiras designadas por órgãos de combate ao terrorismo. Em um dos casos analisados, US$ 34,6 milhões continuaram circulando após as carteiras terem sido sancionadas.

O relatório reconhece uma limitação da análise: endereços em blockchain são pseudônimos e não revelam diretamente seus proprietários. A equipe baseou as atribuições principalmente em dados da OFAC, do Departamento do Tesouro dos EUA, e de autoridades israelenses.

A Tether respondeu destacando sua cooperação com autoridades e afirma que ações envolvendo USDT permitiram congelar cerca de US$ 550 milhões ligados a redes iranianas em 2026. A companhia rejeita a ideia de que a stablecoin funcione como refúgio para entidades sancionadas.

Blumenthal encaminhou as conclusões aos departamentos do Tesouro e da Justiça e pediu que os órgãos examinem as práticas da Tether relacionadas a sanções e prevenção à lavagem de dinheiro. O relatório não conclui que a empresa tenha violado a legislação americana, mas pede que as autoridades investiguem possíveis infrações.

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