Os agentes de inteligência artificial usados pela equipe de pesquisa da OpenAI já acumulam, em conjunto, mais de três vezes o tempo de trabalho dos pesquisadores humanos. Em meados de agosto, a empresa registrava 3,1 “dias de trabalho de agente” para cada jornada humana de oito horas.

A comparação considera o tempo agregado de execução dos sistemas, inclusive quando vários agentes trabalham simultaneamente, e não significa que eles sejam três vezes mais produtivos que os pesquisadores.

Agentic workdays now far exceed those of human researchers.
Agentic workdays now far exceed those of human researchers.

A mudança aconteceu rapidamente. Antes de junho, o tempo total de execução dos agentes na organização de pesquisa ainda era inferior ao volume de trabalho humano. Pouco mais de dois meses depois, essa relação já havia se invertido de forma significativa, segundo dados divulgados pela OpenAI no domingo (6).

Trabalho paralelo amplia a diferença

Parte desse avanço vem da capacidade de trabalhar em paralelo. Um mesmo pesquisador pode manter várias sessões de agentes funcionando ao mesmo tempo enquanto continua realizando outras tarefas.

A OpenAI afirma que está aumentando o número de profissionais que usam quatro ou mais agentes simultaneamente, além de subagentes criados pelos próprios sistemas durante a execução dos trabalhos.

Os dados indicam, porém, que não houve apenas aumento no tempo de uso. A empresa afirma que seus pesquisadores estão escrevendo código mais rapidamente e executando mais experimentos. Em agosto, o número de experimentos por pesquisador ativo atingiu o maior nível desde o início desse acompanhamento, em janeiro de 2025.

A OpenAI associa parte do avanço à adoção do Codex, embora reconheça que também ampliou significativamente a capacidade computacional disponível para pesquisa.

O tipo de tarefa entregue à IA também está mudando. No início do ano, os agentes eram usados principalmente para escrever código de pesquisa e infraestrutura. Desde então, cresceram atividades como suporte técnico, acompanhamento de experimentos e tarefas de maior duração.

Planejamento de alto nível, entretanto, continua representando uma parcela pequena do trabalho delegado aos agentes.

Humanos ainda precisam intervir

A dependência de supervisão humana continua evidente. Entre tarefas bem-sucedidas que levariam de quatro a oito horas para uma pessoa realizar, mais da metade exigiu pelo menos uma intervenção humana nos últimos seis meses.

Longer tasks need more interventions
Longer tasks need more interventions

A própria OpenAI afirma que os agentes ainda precisam de direcionamento significativo, principalmente conforme aumenta a complexidade do trabalho.

Mesmo assim, a empresa considera ter alcançado uma etapa importante de sua estratégia de automação. Segundo a OpenAI, seus sistemas já atingiram o nível que ela chama de “estagiário de pesquisa automatizado”: agentes capazes de executar, sob orientação humana, tarefas bem definidas que poderiam consumir alguns dias de um pesquisador qualificado.

O próximo objetivo declarado é desenvolver um pesquisador de IA automatizado até março de 2028.

A OpenAI também alerta contra uma interpretação direta desses números como medida da velocidade de avanço da própria inteligência artificial. Pesquisa envolve gargalos que não desaparecem apenas com mais horas de computação, e humanos continuam responsáveis por definir prioridades, escolher quais resultados perseguir e decidir quando ampliar, interromper ou colocar sistemas em produção.

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