A Block, controladora do Cash App e da Square, chegou a um acordo em princípio com o Departamento de Justiça dos Estados Unidos (DOJ) que prevê um pagamento líquido de aproximadamente US$ 764 milhões para resolver uma investigação sobre controles de prevenção à lavagem de dinheiro. A negociação, alcançada em outubro, foi revelada em um documento regulatório apresentado pela companhia na terça-feira (3), mas ainda depende de formalização e aprovação judicial.
O entendimento está relacionado à acusação de que a empresa não manteve um programa eficaz de prevenção à lavagem de dinheiro, conforme as exigências da legislação bancária americana, conhecida como Bank Secrecy Act.
A resolução proposta prevê um acordo de suspensão de processo penal por três anos, mecanismo pelo qual o DOJ adiaria a persecução da acusação enquanto a Block cumprisse determinadas obrigações. Caso todas as condições fossem atendidas durante o período, o departamento solicitaria o arquivamento definitivo da acusação abrangida pelo acordo.
O documento também estabelece os riscos caso a negociação não seja concluída ou a companhia descumpra suas obrigações. Nessas circunstâncias, o DOJ poderá prosseguir com medidas legais relacionadas à acusação.
Documento prevê pagamento líquido inferior ao valor bruto do acordo
O Form 10-Q apresentado à Comissão de Valores Mobiliários dos Estados Unidos (SEC) detalha uma diferença importante entre os valores envolvidos na negociação.
O componente financeiro bruto previsto é de aproximadamente US$ 964 milhões, mas o desembolso líquido esperado cai para US$ 764 milhões devido a créditos relacionados a resoluções regulatórias anteriores. A diferença de US$ 200 milhões não representa um desconto concedido sem contrapartida, mas o reconhecimento desses créditos no cálculo apresentado pela companhia.
A Block informou que já havia registrado uma provisão contábil de US$ 764 milhões em 30 de setembro de 2026. O lançamento representa o reconhecimento da obrigação estimada nas demonstrações financeiras, não a confirmação de que o valor tenha sido efetivamente pago.
A empresa ressalvou que não há garantia de conclusão do acordo nos termos atualmente previstos. O documento também admite a possibilidade de perdas superiores ao montante provisionado, dependendo das condições definitivas da resolução.
A divulgação ocorreu no mesmo dia em que a companhia apresentou resultados trimestrais positivos e elevou suas expectativas financeiras para 2026.
O lucro bruto do Cash App cresceu 27% em relação ao terceiro trimestre de 2025, alcançando aproximadamente US$ 2,07 bilhões, impulsionado principalmente por produtos de crédito e serviços financeiros. Na Square, voltada a comerciantes, o crescimento foi de 14%, com lucro bruto de US$ 1,16 bilhão.
No conjunto, a Block registrou lucro bruto trimestral de US$ 3,24 bilhões, avanço de 22% na comparação anual. O lucro operacional ajustado chegou a US$ 923 milhões, crescimento de 92%.
Com esse desempenho, a companhia elevou sua projeção de lucro bruto para 2026 de US$ 11,98 bilhões para US$ 12,63 bilhões, o que representaria crescimento anual de aproximadamente 22%.
Os resultados mostram a expansão operacional das duas principais plataformas da Block enquanto a companhia busca encerrar uma questão regulatória de elevada dimensão financeira. A resolução com o DOJ, entretanto, permanece condicionada à assinatura de um acordo definitivo e à aprovação da Justiça americana.



