O influenciador chinês Li Jiaqi, conhecido como "Rei do Batom" por suas transmissões de vendas de cosméticos, comercializou cerca de 100 mil assinaturas de inteligência artificial em apenas 30 minutos. A operação ocorreu na segunda-feira (2), durante as promoções do Dia dos Solteiros na China, com uma condição decisiva: o serviço, normalmente oferecido por 28 yuans, custou apenas 0,01 yuan.
As assinaturas pertencem ao QwenWork, plataforma de produtividade com IA da Alibaba. Segundo dados divulgados pela companhia e repercutidos pela Reuters nesta terça-feira (3), os pacotes vendidos representam aproximadamente 2 trilhões de tokens de capacidade contratada.
O número, porém, não significa que todo esse processamento tenha sido utilizado. Trata-se da capacidade associada às assinaturas adquiridas pelos consumidores.
Tokens são unidades utilizadas por modelos de inteligência artificial para interpretar e gerar conteúdo. Eles permitem contabilizar o processamento de textos e outras informações, funcionando também como referência para cobrança pelo uso de serviços de IA.
O QwenWork oferece ferramentas para produzir documentos, criar apresentações, analisar dados e automatizar tarefas de escritório. Durante a transmissão no Taobao, a plataforma foi apresentada ao público ao lado de computadores e dispositivos equipados com recursos de inteligência artificial.
De batons a créditos de inteligência artificial
A participação de Li Jiaqi representa uma mudança na maneira como empresas chinesas estão comercializando serviços de IA. Em vez de restringir a oferta a plataformas especializadas, as companhias passaram a apresentar capacidade de processamento como um produto que pode ser adquirido em campanhas promocionais, ao lado de eletrônicos e artigos de consumo.
A Alibaba criou no Tmall uma seção dedicada à venda de pacotes de tokens, reunindo ofertas de desenvolvedoras como MiniMax, Moonshot AI e Z.AI, além de seus próprios serviços.
A concorrente JD.com também passou a oferecer uma área comercial para serviços de IA, incluindo produtos associados à DeepSeek, Z.AI e Volcano Engine, da ByteDance.
A estratégia já apresenta números expressivos nas divulgações corporativas. A Alibaba informou que as vendas de planos de tokens cresceram 450% entre 1º e 20 de outubro, em comparação com o mês anterior.
Esse indicador, contudo, não esclarece quanto do crescimento decorreu de descontos, novos compradores ou aumento do consumo efetivo dos serviços.
Promoção de 0,01 yuan limita conclusões sobre demanda
O detalhe mais importante da transmissão aparece na política de preços. Segundo o jornal chinês Beijing Business Today, a assinatura mensal básica do QwenWork, anunciada originalmente por 28 yuans, foi oferecida por 0,01 yuan.
O desconto praticamente eliminou o custo de experimentar o serviço, tornando a campanha especialmente favorável à aquisição de novos usuários.
Embora o volume de aproximadamente 100 mil assinaturas seja relevante, ele não comprova que esses consumidores aceitariam pagar o preço regular após o encerramento da promoção.
Também existem diferenças entre assinaturas vendidas, tokens contratados, processamento efetivamente utilizado e receita gerada. Os números divulgados pela Alibaba não permitem estabelecer essas equivalências, nem foram apresentados como resultados auditados independentemente.
A experiência demonstra que créditos de inteligência artificial já podem ser comercializados em transmissões populares de e-commerce. O desafio seguinte para as plataformas chinesas será converter esse interesse promocional em uso recorrente, renovação de assinaturas e receita sustentável.



