Os desenvolvedores do Ethereum decidiram adiar a atualização Glamsterdam na rede de testes Hoodi, originalmente prevista para 26 de outubro de 2026. A decisão, anunciada pela Ethereum Foundation na quinta-feira (22), ocorreu após preocupações sobre como novas regras de cobrança de gás poderiam alterar o comportamento de contratos inteligentes já existentes.

O adiamento foi definido durante a reunião ACDE #248, para permitir uma investigação mais aprofundada da proposta EIP-8037 e de sua interação com contratos utilizados na rede principal. Ainda não existe uma nova data de ativação.

A mudança também suspende o aumento programado do limite de gás de Hoodi para 200 milhões de unidades por bloco, previsto para ocorrer junto com Glamsterdam. As ativações das camadas de execução e consenso foram retiradas da configuração da atualização.

O problema envolve uma questão de compatibilidade: determinados contratos podem reagir de maneira diferente a operações malsucedidas, mesmo sem alterações em seu código.

Como as novas regras de gás podem afetar contratos existentes

O gás representa o custo computacional das operações executadas no Ethereum. Duas propostas incluídas em Glamsterdam modificam essa contabilização: a EIP-8037 separa os custos de criação de novos registros na blockchain, enquanto a EIP-8038 altera os valores cobrados pelo acesso e pela modificação de dados.

Em uma análise técnica publicada em 13 de outubro, a empresa de segurança ChainSecurity demonstrou que essas mudanças podem interferir nos mecanismos utilizados por contratos inteligentes para lidar com falhas.

Alguns contratos permitem que uma operação externa falhe sem interromper imediatamente todo o processamento. Para evitar problemas, eles verificam quanto gás permanece disponível antes de registrar o erro ou impedir novas tentativas.

Com as regras propostas, porém, uma operação malsucedida pode devolver ou preservar gás suficiente para que o tratamento do erro seja concluído. Uma falha que anteriormente provocaria a reversão da transação poderia passar a ser registrada de forma definitiva, dependendo da lógica do contrato.

A investigação identificou também o problema inverso: operações anteriormente executáveis podem passar a consumir mais gás do que o orçamento previsto pelo desenvolvedor.

Em um exemplo apresentado pela ChainSecurity, a criação de um novo registro de armazenamento passa de 22.100 para 110.020 unidades de gás. Desse total, 97.920 correspondem à criação de estado e 12.100 à execução. Quando a reserva separada de gás para criação de estado está esgotada, todo o custo precisa ser coberto pelo gás de execução.

Esses resultados demonstram riscos de compatibilidade em condições específicas, não uma vulnerabilidade generalizada. A análise não comprova que contratos estejam sendo explorados na rede principal por causa dessas mudanças.

Para operadores de nós e validadores de Hoodi, a Ethereum Foundation orienta a revisão dos softwares das camadas de execução e consenso antes de 26 de outubro. Configurações que ainda mantenham a ativação original precisam ser atualizadas conforme as instruções dos respectivos desenvolvedores.

O adiamento não reverte transações anteriores, tampouco desfaz a ativação de Glamsterdam realizada na rede de testes Sepolia em 6 de outubro. A atualização da rede principal continua sem data oficialmente definida, e usuários comuns ou detentores de ETH não precisam tomar nenhuma medida.

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