A Autoridade de Supervisão do Mercado Financeiro da Suíça (FINMA) aprovou, na terça-feira (20), o primeiro ETF de Bitcoin estruturado como fundo de investimento de direito suíço e aberto ao público em geral. O produto, chamado Bitcoin Fund ETF (BBIT), será oferecido pela BIT Asset Management, com início das negociações previsto para novembro na SIX Swiss Exchange.

O fundo investirá diretamente em Bitcoin, sem depender de contratos futuros para acompanhar sua cotação. A aprovação permite que investidores de varejo tenham acesso ao ativo por meio de uma estrutura de investimento coletivo supervisionada pela FINMA, anteriormente indisponível para esse tipo de ETF no país.

A autorização, porém, veio acompanhada de condições específicas. O regulador classificou o BBIT como fundo alternativo com riscos especiais e concedeu uma exceção às regras habituais de diversificação, considerando o histórico de negociação e a elevada liquidez do Bitcoin em comparação com outras criptomoedas.

O que diferencia o BBIT dos produtos de Bitcoin já negociados na Europa

A Suíça já possui produtos de investimento em criptomoedas negociados em bolsa. A principal diferença está na estrutura jurídica.

Grande parte dos produtos europeus de Bitcoin pertence à categoria dos ETPs, instrumentos geralmente estruturados como títulos de dívida garantidos por ativos. Embora os ETPs suíços tenham exigências de garantia, eles não são classificados como fundos de investimento coletivo.

O BBIT terá patrimônio separado dos ativos da gestora, conforme o regime suíço aplicável aos fundos. Essa segregação oferece uma proteção jurídica distinta em situações de insolvência, sem eliminar os riscos associados ao investimento.

A custódia também está sujeita a exigências específicas. Pelas regras suíças, os ativos de fundos coletivos devem ser mantidos sob responsabilidade de um banco custodiante nacional, que pode delegar a guarda a terceiros mediante condições regulatórias. A FINMA exige medidas para reduzir riscos operacionais, ataques cibernéticos e problemas relacionados à proteção das chaves privadas.

Além disso, as instituições responsáveis pela distribuição deverão apresentar alertas claros sobre volatilidade e possíveis perdas, respeitando as obrigações de avaliação de adequação dos investimentos previstas na legislação financeira suíça.

Dominik Oggenfuss, CEO da BIT Asset Management, destacou a possibilidade de acesso ao produto pelo sistema bancário tradicional:

"Os investidores agora podem acessar Bitcoin por meio de uma conta bancária suíça comum", afirmou no comunicado de 20 de outubro.

A facilidade operacional, entretanto, não altera a exposição ao preço da criptomoeda. A própria FINMA ressaltou que investimentos em Bitcoin continuam altamente arriscados, mesmo quando realizados por meio de um fundo aprovado, e podem provocar perdas substanciais de capital.

A BIT Asset Management espera iniciar as negociações do BBIT na SIX Swiss Exchange em novembro de 2026, mas ainda não informou uma data específica para a estreia.

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