A Solana ativou na quarta-feira (21) o Alpenglow em sua rede principal, substituindo o TowerBFT, mecanismo de consenso utilizado desde o lançamento da blockchain em 2020. A atualização modifica a comunicação entre validadores e busca reduzir o tempo necessário para tornar uma transação definitiva de aproximadamente 12,8 segundos, na referência histórica apresentada pela rede, para 150 milissegundos.
A Solana Foundation confirmou que a implantação ocorreu no epoch 1064, iniciado por volta das 13h36 UTC. A substituição efetiva do protocolo aconteceu aproximadamente 18 minutos depois, às 13h54 UTC, quando o Alpenglow assumiu o consenso no slot 459.653.000.
A transição também foi documentada pela Unchained, que examinou dados públicos da blockchain. O último bloco associado ao TowerBFT foi registrado no slot 459.652.999, às 13h54 UTC, e serviu de referência para o certificado inicial do Alpenglow.
Na sequência, oito slots transcorreram sem produção de blocos, até o registro do slot 459.653.008, cerca de três segundos depois. A análise identificou continuidade na numeração dos blocos, sem evidências de reversão da cadeia durante a migração.
A documentação oficial acrescenta que o bloco de referência recebeu votos de 446 dos 654 validadores contabilizados na rede. Esses registros confirmam a execução da transição, mas não demonstram, isoladamente, que a nova meta de velocidade seja mantida continuamente.
Votor já está ativo, mas Rotor permanece para uma segunda etapa
O componente implementado nesta primeira fase é o Votor, responsável pela votação e finalização dos blocos.
No TowerBFT, os validadores registravam votos por meio de transações na blockchain. Com o Alpenglow, passam a trocar mensagens assinadas diretamente entre si, reunidas em certificados que permitem finalizar blocos após uma ou duas rodadas de votação.
A mudança elimina as antigas transações de voto dos blocos e altera a maneira como serviços de infraestrutura acompanham a rede. Os estados de confirmação confirmed e finalized passam a representar a mesma condição, enquanto métricas de transações por segundo precisam ser recalibradas para não interpretar a remoção dos votos como queda na atividade dos usuários.
Os operadores de validadores também passam a pagar uma taxa fixa de 0,8 SOL por epoch para participar do processo, substituindo os custos anteriores associados às transações individuais de votação.
A segunda fase prevê o Rotor, protocolo destinado a substituir o Turbine na distribuição de dados dos blocos entre os participantes da rede. Essa etapa ainda não possui data de implantação definida.
Apesar da mudança estrutural, o mecanismo de execução de contratos inteligentes e as taxas das transações comuns permanecem inalterados.
A Solana Foundation ressalta que os 150 milissegundos representam uma meta de finalidade, não um tempo fixo garantido para todas as transações. O resultado depende de fatores como a comunicação entre validadores e a quantidade de rodadas necessárias para alcançar consenso.
A comparação com os 12,8 segundos também exige contexto: esse valor corresponde ao modelo anterior com slots de 400 milissegundos, posteriormente reduzidos para 200 milissegundos em outra atualização.
Assim, a ativação confirma a substituição do protocolo de consenso, enquanto o desempenho sustentado do Alpenglow na rede principal ainda precisa ser avaliado por medições posteriores.



