O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, disse nesta sexta (3) que pretende propor um processo de notificação entre Washington e Pequim para situações graves envolvendo inteligência artificial. A iniciativa busca transformar um acordo político já alcançado pelos dois países em um mecanismo capaz de ser acionado diante de incidentes com potencial de afetar a segurança nacional.

A criação do canal foi acertada durante a visita do presidente chinês Xi Jinping aos Estados Unidos, em setembro. Comunicados oficiais dos dois governos confirmaram que EUA e China concordaram em estabelecer um canal bilateral de comunicação para incidentes de IA, além de criar um diálogo dedicado aos riscos e benefícios da tecnologia.

O que ainda precisa ser definido é como esse sistema funcionará na prática. Bessent afirmou ao Axios que pretende apresentar um processo de notificação e disse acreditar que Pequim aceitará a proposta. As conversas anteriores com o vice premiê chinês He Lifeng incluíram riscos como agentes de IA fora de controle e o uso da tecnologia por atores não estatais em ameaças cibernéticas ou biológicas.

Canal coloca incidentes de IA na agenda de segurança entre potências

O mecanismo cria uma estrutura para que as duas maiores potências em IA possam manter comunicação direta quando um incidente ultrapassar a esfera tecnológica e assumir dimensão de segurança. Os governos, porém, ainda não divulgaram quais eventos poderiam acionar o canal, quais informações seriam compartilhadas ou quais autoridades ficariam responsáveis pelas notificações.

A iniciativa aproxima a gestão de riscos de IA de mecanismos tradicionais de comunicação entre Estados usados para reduzir incerteza durante crises. No caso da inteligência artificial, o desafio inclui determinar quando uma falha de modelo, ataque cibernético ou comportamento inesperado de um sistema passa a representar um risco suficientemente grave para justificar uma comunicação entre governos.

Bessent também defendeu maior atenção à proteção de infraestrutura e à capacidade de resposta a ameaças, além da corrida para desenvolver modelos mais avançados. Segundo ele, os Estados Unidos precisam dedicar mais recursos a resiliência e defesa diante do avanço das capacidades dos sistemas.

O acordo bilateral prevê uma nova rodada do diálogo entre os dois países até novembro de 2026. A China também confirmou oficialmente tanto a criação do diálogo sobre IA quanto o estabelecimento do canal para incidentes, embora os detalhes operacionais ainda não tenham sido divulgados.

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