O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta terça-feira (22), durante discurso na Assembleia Geral da ONU, que documentos americanos passarão a usar o termo “superinteligência”, ou SI, no lugar de inteligência artificial. Ele também rejeitou novas restrições amplas sobre a tecnologia e disse que o Departamento de Justiça poderá intervir no setor se considerar necessário.

Trump argumentou que “artificial” transmite a ideia de algo falso e disse esperar que outros países também adotem a nova terminologia. Ao mesmo tempo, voltou a defender que os EUA acelerem o desenvolvimento da tecnologia para preservar sua liderança na disputa com a China.

A mudança é principalmente terminológica. No debate técnico, “superinteligência” costuma ser usada para descrever sistemas hipotéticos capazes de superar amplamente capacidades humanas, e não como sinônimo de toda inteligência artificial.

DOJ poderá intervir, mas Trump rejeita controle internacional

Apesar de se opor a novas regulações abrangentes, Trump afirmou que o governo acompanhará de perto o setor por meio do Departamento de Justiça e poderá agir contra empresas quando julgar necessário.

O presidente também rejeitou mecanismos internacionais para controlar o desenvolvimento da IA. A posição contrasta com a defesa feita pela ONU de maior cooperação internacional para governar a tecnologia. O secretário-geral António Guterres pediu nesta terça-feira acordos internacionais vinculantes e afirmou que decisões de vida ou morte não devem ser delegadas a máquinas.

Trump e Xi devem discutir riscos de IA

A resistência a uma estrutura global não impede negociações diretas com a China. Washington propôs a Pequim um mecanismo bilateral para notificar incidentes relevantes de IA, tema preparado para a cúpula entre Trump e o presidente chinês, Xi Jinping.

O New York Times informou que o secretário do Tesouro, Scott Bessent, vinha tentando negociar algum entendimento inicial entre os dois países sobre riscos compartilhados da tecnologia. Propostas mais amplas, como padrões conjuntos de segurança e avaliações de modelos antes do lançamento, não eram esperadas nessa primeira etapa.

A inteligência artificial deve ser um dos principais temas da reunião entre Trump e Xi, em meio à disputa entre EUA e China por liderança tecnológica e às discussões sobre riscos militares e de segurança associados aos modelos mais avançados.

Continue no Radar