O ex-assessor da Casa Branca Jacob Stokes defendeu que os Estados Unidos se preparem para intervir caso a China se aproxime primeiro da inteligência artificial geral (AGI). As opções discutidas incluem espionagem, operações cibernéticas e, em um cenário extremo, ataques militares contra data centers chineses.
A proposta parte do relatório Superpowers and AGI, publicado pelo Center for a New American Security (CNAS) em 27 de agosto. Stokes trabalhou na equipe de segurança nacional do então vice-presidente Joe Biden durante o governo Barack Obama e hoje é diretor-adjunto do programa de Segurança do Indo-Pacífico do instituto.
As recomendações não representam uma política anunciada pelo governo dos EUA. O documento é um exercício sobre como Washington poderia reagir caso a disputa tecnológica com Pequim chegasse ao ponto de um dos países estar próximo de desenvolver AGI.
Relatório prevê intervenção para impedir avanço chinês
No resumo executivo, Stokes recomenda que Washington realize exercícios de cenário para testar “quando e como os Estados Unidos poderiam intervir para impedir a China de desenvolver AGI”. O relatório também propõe que o país se prepare para fazer engenharia reversa ou obter por espionagem a tecnologia caso Pequim chegue primeiro.
A formulação do CNAS é ampla e não especifica no resumo quais ações militares poderiam ser adotadas. A referência a ataques contra data centers chineses aparece na reportagem do South China Morning Post, que acompanhou declarações feitas por Stokes em um evento on-line na quinta-feira (3).
Segundo o jornal, o pesquisador defendeu que o governo americano avalie antecipadamente a viabilidade de medidas diplomáticas, de espionagem, cibernéticas e cinéticas, termo utilizado em segurança para ações que envolvem emprego físico da força.
Stokes afirmou ainda que órgãos como o Departamento de Defesa e a Agência de Segurança Nacional (NSA) deveriam começar a determinar quais informações de inteligência seriam necessárias para justificar medidas desse tipo. Ele comparou o exercício ao processo de preparação estratégica adotado no passado diante das implicações das armas nucleares.
AGI vira variável na disputa entre EUA e China
AGI é o nome dado a um sistema hipotético capaz de alcançar desempenho semelhante ao humano em uma ampla variedade de tarefas. O próprio CNAS ressalta que o relatório não tenta prever se ou quando essa tecnologia será alcançada; o estudo parte deliberadamente de um cenário em que ela está próxima ou já existe para analisar as consequências geopolíticas.
Além de preparar possíveis intervenções, o relatório recomenda impedir que recursos e tecnologias americanas contribuam para o avanço da IA chinesa, melhorar a capacidade de acompanhar o desenvolvimento dos modelos de fronteira e criar canais diplomáticos com Pequim e aliados voltados especificamente à inteligência artificial.
O estudo também considera a possibilidade de uma “surpresa tecnológica” chinesa reduzir rapidamente a vantagem americana. Stokes aponta avanços da China em áreas como robótica e inteligência artificial incorporada a sistemas físicos como fatores que poderiam alterar a corrida.
Mesmo nesse cenário, o relatório argumenta que chegar primeiro à AGI não significaria automaticamente domínio geopolítico. A vantagem dependeria da capacidade de transformar a tecnologia em ganhos econômicos, militares e estratégicos — uma incerteza que, para Stokes, reforça a necessidade de Washington definir antecipadamente como reagiria a um eventual avanço chinês.



