A Kalshi formalizou seu plano para oferecer futuros perpétuos vinculados a ações individuais nos Estados Unidos. A operadora apresentou novas regras à Securities and Exchange Commission (SEC) e submeteu a estrutura à Commodity Futures Trading Commission (CFTC), que ainda precisa autorizar os contratos.
A empresa pretende lançar cerca de 60 perpetuals sobre ações e ETFs, incluindo Apple, Nvidia e Tesla, segundo pessoas familiarizadas com o projeto ouvidas pelo Wall Street Journal. Se aprovados, os produtos levariam ao mercado regulado americano um tipo de derivativo que ganhou popularidade principalmente no setor de criptomoedas.
Diferentemente dos futuros tradicionais, os perpetuals não possuem data de vencimento. Na estrutura proposta, posições compradas e vendidas fariam pagamentos periódicos de funding para manter o preço do contrato próximo ao da ação de referência. A liquidação seria financeira, sem entrega das ações.
A Kalshi também estabeleceu requisitos para os ativos elegíveis. As ações deverão ter capitalização mínima de US$ 100 bilhões, volume financeiro médio diário de pelo menos US$ 450 milhões nos seis meses anteriores e liquidez suficiente para sustentar os contratos.
Negociação por 23 horas e margem mínima de 15,5%
Os perpetuals poderão ser negociados das 18h de domingo às 17h de sexta-feira, no horário da Costa Leste dos EUA, com uma pausa diária de uma hora. Na prática, o mercado funcionaria 23 horas por dia, cinco dias por semana.
Para clientes, a proposta estabelece margem mínima equivalente a 15,5% do valor da posição. A negociação também deverá ser interrompida quando houver uma suspensão regulatória na ação utilizada como referência.
A implementação, porém, depende da CFTC. A mudança de regras submetida à SEC prevê entrada em vigor em 2 de novembro de 2026, ou posteriormente caso a autorização do regulador de derivativos ocorra depois dessa data.
A Kalshi já recebeu autorização da CFTC para um contrato perpétuo de Bitcoin, mas o regulador indicou que novos produtos desse tipo precisam ser avaliados conforme a classe de ativo.
A iniciativa ocorre enquanto outras plataformas tentam ampliar o mercado americano de perpetuals. A Coinbase também apresentou documentação para oferecer contratos vinculados a ações individuais, aumentando a disputa para levar esse modelo de derivativo ao ambiente regulado dos EUA.



