A Shein registrou lucro líquido ajustado de US$ 228 milhões no segundo trimestre, queda de 67% em relação ao ano anterior, em seu primeiro balanço desde a estreia na Bolsa de Hong Kong. A margem do lucro ajustado recuou de 6,2% para 2,1%, enquanto as ações chegaram a cair 14% nesta terça-feira (29).

A receita trimestral ficou praticamente estável, em US$ 11,08 bilhões, alta de apenas 0,9%. O desempenho expôs uma combinação de custos logísticos maiores e enfraquecimento nos dois principais mercados da companhia: as vendas na Europa caíram 13,9%, para US$ 3,77 bilhões, e nos Estados Unidos recuaram 6%, para US$ 2,5 bilhões. O crescimento na América Latina compensou parte dessas perdas.

Os custos de fulfillment avançaram 18,1% no período. A Shein atribuiu parte da pressão ao aumento dos preços de combustível de aviação e frete provocado pelo conflito no Oriente Médio, um impacto particularmente relevante para uma operação que depende de transporte aéreo para enviar grande volume de produtos diretamente aos consumidores.

A reação do mercado ampliou a queda acumulada desde o IPO de 1º de setembro. A desvalorização desta terça levou a empresa a cerca de US$ 17 bilhões em valor de mercado, ante aproximadamente US$ 26 bilhões na abertura de capital. A Hong Kong Exchanges and Clearing publicou o relatório intermediário de 2026 da companhia na segunda-feira (28).

Europa pressiona estratégia de baixo custo

Na Europa, a Shein aumentou preços e reduziu publicidade antes da entrada em vigor, em 1º de julho, de uma cobrança de €3 por código aduaneiro sobre encomendas de baixo valor. Como o trimestre divulgado terminou em junho, os números ainda não incorporam plenamente o efeito da nova cobrança.

A resposta da companhia passa por reduzir parte da dependência do envio internacional direto. O CEO e presidente Yangtian Xu afirmou que uma das prioridades é aumentar o estoque mantido na Europa. A Shein também vem ampliando sua infraestrutura logística na Polônia.

Outra frente é elevar o valor médio dos produtos vendidos. Xu afirmou que a empresa pretende ampliar a participação de marcas e roupas de preços mais altos, movimento destinado a melhorar a rentabilidade e diversificar o portfólio além do modelo que tornou a Shein conhecida por peças de baixo custo.

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