O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou no sábado (19) que pretende criar uma “AI Force” e nomear um novo “czar da IA” para coordenar a política do governo para inteligência artificial. A iniciativa, porém, veio acompanhada de uma rejeição explícita a medidas que desacelerem o desenvolvimento da tecnologia, em meio a uma onda de alertas de executivos das maiores empresas do setor.
Trump não detalhou a estrutura, o orçamento, as atribuições nem onde a nova força será instalada dentro do governo federal. Em publicação no Truth Social, comparou a iniciativa à criação da Space Force durante seu primeiro mandato e afirmou que anunciará o responsável pela área “em um futuro próximo”.
Ao mesmo tempo, o presidente deixou claro que a nova estrutura não representa uma mudança em sua política de favorecer o avanço acelerado da IA. Trump afirmou que seu governo não pretende “impedir ou sufocar” o crescimento da indústria e disse que eventuais abusos podem ser tratados pelo sistema criminal e civil já existente, em vez de novas restrições específicas para a tecnologia.
Trump também voltou a enquadrar a disputa por inteligência artificial como uma questão de competitividade com a China. Ele afirmou que os Estados Unidos lideram a corrida tecnológica e estimou, sem apresentar base para o cálculo, que a IA poderia representar futuramente até 25% do PIB americano.
Alerta agora parte de dentro da própria indústria
O anúncio ocorre poucos dias depois de líderes de algumas das maiores empresas de IA defenderem uma desaceleração no desenvolvimento dos modelos mais avançados.
Em 12 de setembro, o CEO da Anthropic, Dario Amodei, pediu que a indústria reduzisse o ritmo de avanço da chamada fronteira da IA. Sam Altman, da OpenAI, Elon Musk, da xAI, e Demis Hassabis, do Google DeepMind, apoiaram medidas de segurança que incluem dar a avaliadores externos acesso aos sistemas das empresas para testar riscos.
A mudança de tom veio após episódios envolvendo agentes de IA capazes de ultrapassar barreiras de segurança e acessar sistemas externos, além de alertas de pesquisadores sobre a dificuldade crescente de controlar sistemas mais autônomos. Amodei afirmou que, mantido o ritmo atual de evolução, enxames de agentes poderiam ganhar capacidades significativamente mais perigosas em um intervalo de meses.
A posição, contudo, não é consensual no setor. Jensen Huang, CEO da Nvidia, rejeitou propostas de pausa no desenvolvimento e argumentou que sistemas mais poderosos são necessários para que a tecnologia continue avançando.
Novo cargo ainda não tem desenho definido
O posto de “czar da IA” não seria inédito no atual governo. O investidor David Sacks ocupou anteriormente a função de conselheiro para IA e criptomoedas antes de deixar o cargo formal na primavera e passar a atuar como conselheiro externo e copresidente do Conselho de Assessores de Ciência e Tecnologia do presidente.
Até agora, Trump não informou quem poderá substituir Sacks nem quais poderes o novo responsável terá sobre agências federais ou empresas privadas. Também não está definido se a “AI Force” será criada por ordem executiva, legislação ou outra estrutura administrativa.
O anúncio estabelece, portanto, uma nova estrutura política para a inteligência artificial dentro da Casa Branca, mas mantém a principal linha adotada pelo governo: supervisionar possíveis abusos sem impor um freio amplo ao desenvolvimento da tecnologia.



