A Visa anunciou nesta terça-feira (8) uma estrutura que combina dados de liquidação da VisaNet com crédito onchain para ampliar o acesso a capital de giro de fintechs e programas de cartões vinculados a stablecoins. A iniciativa chega após o volume de liquidação em stablecoins da companhia superar um ritmo anualizado de US$ 20 bilhões, mais de 15 vezes o registrado um ano antes.

A expansão também aparece no número de produtos conectados à rede. Mais de 160 programas de cartões ligados a stablecoins já operam globalmente na Visa, enquanto o volume de pagamentos nesses programas cresceu quase 200% em um ano.

A nova estrutura tenta resolver um problema de financiamento criado justamente por esse crescimento. Emissores precisam bancar suas obrigações de liquidação com a Visa antes de receber parte dos recursos dos usuários, o que cria uma necessidade recorrente de capital de giro.

Linhas bancárias tradicionais podem exigir histórico operacional, garantias mais amplas e processos de contratação demorados. Estruturas como securitizações, por sua vez, tendem a fazer mais sentido para carteiras já maiores. Segundo a Visa, isso pode deixar programas em estágio inicial limitados pelo acesso a crédito, mesmo quando já existe demanda pelos cartões.

Crédito onchain automatiza financiamento da liquidação

Um dos primeiros exemplos da estratégia é a parceria com a Credit Coop, que oferece linhas de crédito rotativo denominadas em stablecoins e garantidas pelas contas a receber relacionadas à liquidação dos cartões.

Com autorização do cliente, dados diários da Visa são combinados aos registros onchain para dimensionar o financiamento. Contratos inteligentes automatizam etapas como liberação dos recursos, controle das garantias e pagamentos da dívida, permitindo que a linha acompanhe as necessidades de liquidação do programa.

O modelo já financiou mais de US$ 2,5 bilhões em volume acumulado desde 2023, segundo a Visa, sem registros de inadimplência nas linhas participantes. A infraestrutura realizou mais de 3 mil operações de empréstimo e 9 mil pagamentos onchain.

A companhia vê a combinação entre seus dados de pagamentos e infraestrutura blockchain como uma forma de aproximar o mercado de crédito onchain de operações financeiras do dia a dia. Dados da própria Visa indicam que mais de US$ 694 bilhões em empréstimos denominados em stablecoins passaram por protocolos de crédito onchain desde 2020, embora grande parte dessa atividade ainda permaneça concentrada dentro do mercado cripto.

Para a Visa, a nova estrutura também cria uma forma de financiar novos programas de cartões em escalas menores e, conforme as operações crescem e acumulam histórico de crédito, permitir a migração para fontes tradicionais de capital institucional.

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