A blockchain Zcash ativou nesta sexta-feira (6) a atualização NU7, reduzindo de 75 para 25 segundos o intervalo-alvo entre blocos. A mudança também encerrou a possibilidade de movimentar fundos pelo antigo sistema de transações privadas Sprout, deixando aproximadamente 12.224 ZEC inacessíveis para transferências sob as novas regras da rede.
A atualização entrou em vigor às 02h34 UTC, no bloco 3.543.405, conforme os registros do monitor ZecStats. Até as 04h59 UTC, a rede havia produzido outros 225 blocos, com intervalo médio de aproximadamente 39 segundos. A diferença em relação à nova meta reflete o período de ajuste da dificuldade de mineração.
O intervalo de 25 segundos é uma referência estatística, não uma garantia de que cada bloco será produzido nesse prazo. O tempo necessário para disponibilizar uma transferência também depende da quantidade de confirmações exigida por carteiras, corretoras e outros serviços.
A especificação técnica ZIP 218 prevê ainda um aumento da capacidade teórica de processamento de transações privadas no protocolo Orchard, de aproximadamente 2,9 para 6,6 transações por segundo. Novos limites para a atividade privada por bloco procuram reduzir a quantidade de dados que as carteiras precisam analisar, diminuindo de 271 MB para 169 MB a estimativa de downloads diários no pior cenário.
Apesar da maior frequência de blocos, a emissão diária programada de ZEC permanece inalterada. A recompensa-base por bloco foi reduzida proporcionalmente, preservando o limite de oferta de 21 milhões de unidades.
Por que a atualização deixou 12.224 ZEC da antiga Sprout sem transferência
A consequência mais significativa para proprietários de fundos antigos está na desativação das transações de versão 4, único formato capaz de movimentar valores na Sprout, estrutura de privacidade utilizada desde o lançamento da Zcash, em 2016.
Os formatos mais recentes, versões 5 e 6, não oferecem compatibilidade com esse sistema. Com a entrada em vigor do NU7, os 12.224,21 ZEC restantes na Sprout não podem mais ser gastos ou transferidos pelas regras atuais do protocolo.
Isso não significa, entretanto, que as moedas tenham sido destruídas. A especificação ZIP 2003 distingue a proibição de movimentação da eliminação definitiva dos fundos e admite a possibilidade técnica de restaurar o acesso mediante uma futura mudança de consenso.
A aposentadoria da Sprout também responde a preocupações de segurança e manutenção. Em setembro, o desenvolvedor Sean Bowe explicou que a arquitetura antiga acumulava complexidade técnica e riscos associados à sua implementação criptográfica. Ele defendeu a substituição do mecanismo existente por um protocolo específico de recuperação, capaz de permitir a retirada de valores sem restabelecer integralmente o funcionamento da Sprout.
Nenhum mecanismo de recuperação havia sido aprovado até a ativação do NU7. A proposta apresentada por Bowe em 4 de setembro não equivale a uma decisão de implementação, e não existe garantia de que os fundos voltarão a ser movimentáveis.
A atualização também modifica a distribuição das taxas de transação. Os mineradores passam a receber 40% desses valores, enquanto os outros 60% são direcionados ao Network Sustainability Mechanism (NSM), uma reserva destinada a complementar futuras recompensas de mineração, com redistribuição programada a partir de aproximadamente fevereiro de 2031.
Os valores reservados não são queimados definitivamente. O mecanismo mantém a emissão dentro do limite monetário do protocolo e funciona separadamente dos saldos antigos que permaneceram na Sprout.



