A Fiserv, uma das principais fornecedoras globais de tecnologia para pagamentos, registrou uma baixa contábil de US$ 6,45 bilhões no terceiro trimestre de 2026. O ajuste, divulgado na terça-feira (3), levou a companhia a apresentar um prejuízo expressivo, enquanto a receita recuou e a administração anunciou uma ampliação do programa de redução de custos.

A receita trimestral foi de US$ 5,20 bilhões, queda de 1% em relação ao mesmo período de 2025. A receita orgânica permaneceu estável, com retração de 2% na divisão de soluções para comerciantes e crescimento de 2% nos serviços destinados a instituições financeiras.

A maior parte do impacto contábil veio de uma redução no valor recuperável do goodwill, ativo que representa benefícios econômicos futuros esperados de aquisições. Segundo a documentação financeira, a revisão foi desencadeada por quedas persistentes no preço das ações e no valor de mercado da companhia.

A baixa não representa uma saída imediata de dinheiro do caixa. Trata-se do reconhecimento de que parte do valor anteriormente atribuído a esses ativos não pode mais ser sustentada pelas avaliações contábeis.

Perda contábil contrasta com lucro ajustado e margens menores

O efeito sobre os resultados foi significativo. Pelas normas contábeis americanas (GAAP), a Fiserv registrou prejuízo de US$ 11,17 por ação. Excluindo a baixa de goodwill e outros ajustes, a empresa apresentou lucro ajustado de US$ 1,75 por ação.

Essa diferença não significa que as operações tenham permanecido imunes à deterioração financeira. O lucro ajustado também caiu em relação aos US$ 2,04 por ação registrados no terceiro trimestre de 2025.

A margem operacional ajustada recuou de 37% para 31,2%, indicando pressão sobre a rentabilidade mesmo após a exclusão dos efeitos contábeis extraordinários.

Em resposta ao cenário, a companhia elevou de US$ 500 milhões para US$ 1 bilhão a meta de economias do Project Elevate, programa de reorganização operacional. A revisão ocorreu após uma avaliação do portfólio de negócios e a identificação de novas oportunidades de eficiência.

O novo valor representa uma meta projetada, não uma economia já realizada. Segundo o diretor financeiro Paul Todd, parte dos benefícios esperados deverá aparecer apenas em 2027 ou posteriormente.

A reorganização também envolve mudanças no portfólio. A Fiserv concluiu no trimestre a venda de seu negócio de administração de empréstimos estudantis e a formação da joint venture MoneyPass Group, na qual manteve participação minoritária.

Além dessas operações concluídas, a administração iniciou conversas com potenciais compradores de outros ativos considerados não estratégicos. O CEO Takis Georgakopoulos afirmou a analistas que ainda é cedo para estimar os valores que essas possíveis transações poderão gerar.

Apesar dos ajustes, a empresa manteve sua projeção para 2026, com variação da receita orgânica entre queda de 1% e estabilidade e lucro ajustado de US$ 7,20 a US$ 7,40 por ação. Também anunciou a intenção de recomprar US$ 500 milhões em ações no quarto trimestre.

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