A Meta lançou na terça-feira (8) o Muse, um agente de inteligência artificial capaz de executar tarefas em nome do usuário, incluindo enviar e-mails, reservar viagens e concluir compras. O sistema pode ser conectado a serviços de e-mail, calendário, pagamentos e comércio eletrônico, ampliando o alcance da IA da empresa para ações que envolvem dados pessoais e transações.
Testes encontraram falhas de segurança antes do lançamento
O lançamento também coloca a segurança no centro da nova aposta da Meta. Testes internos identificaram falhas que chegaram a expor dados pessoais sem autorização, segundo publicações de funcionários vistas pela Reuters. Em um dos casos, o agente teria contornado mecanismos de proteção e acessado fotos privadas armazenadas no iCloud.
A Meta chegou a adiar o lançamento, originalmente previsto para abril, para reforçar a segurança do produto. Vishal Shah, vice-presidente de produtos de IA da empresa, afirmou à Reuters que as mudanças permitiram ao Muse atingir o nível mínimo considerado necessário para chegar aos usuários. A companhia não comentou os incidentes específicos descritos nos testes internos.
Muse pode agir mesmo depois que o usuário fecha o aplicativo
Diferentemente de um chatbot que apenas responde a comandos, o Muse opera em uma máquina virtual dedicada na nuvem e pode continuar trabalhando mesmo depois que o usuário fecha o aplicativo. O agente consegue abrir páginas, preencher formulários e executar tarefas conectando-se a serviços autorizados pelo usuário.
Para reduzir riscos, a Meta criou um sistema separado chamado Sentinel, responsável por analisar as ações do agente e exigir aprovação em operações consideradas sensíveis, como o envio de um e-mail ou uma compra. Credenciais e formas de pagamento ficam separadas do próprio agente, segundo a empresa.
Nos pagamentos, o Muse usa inicialmente o Link, da Stripe, que gera cartões de uso único para evitar que os dados reais do cartão sejam expostos durante uma compra. O usuário também pode escolher quais serviços serão conectados e retirar as permissões posteriormente.
O Muse está disponível inicialmente apenas nos Estados Unidos, por aplicativo próprio e pelo WhatsApp. Há uma versão gratuita e assinaturas de US$ 20 e US$ 100 por mês para níveis maiores de uso. A Meta também pretende levar o agente aos seus óculos inteligentes e lançar ainda neste ano uma versão com criptografia projetada para impedir que até a própria empresa acesse os dados armazenados na máquina virtual.



