A ByteDance está negociando uma expansão de grande escala de sua infraestrutura de inteligência artificial na China, com planos para adicionar entre 5 e 6 gigawatts de capacidade em um novo cluster de data centers em Ulanqab, na Mongólia Interior.
As conversas ainda são preliminares e envolvem fornecedores locais, segundo uma pessoa familiarizada com os planos ouvida pelo South China Morning Post. A empresa pretende receber as instalações no distrito de Jining até o início de 2028, mas não confirmou publicamente o projeto.
A dimensão chama atenção. Uma estimativa da Soochow Securities citada pelo jornal calcula em cerca de 160 bilhões de yuans, ou US$ 23,8 bilhões, o investimento inicial necessário para um data center de IA de 1 GW. Aplicada diretamente ao projeto, essa referência colocaria o custo teórico entre US$ 119 bilhões e US$ 143 bilhões — embora esse valor não represente um orçamento anunciado pela ByteDance.
Ulanqab já virou um polo de computação para IA
A localização não é nova para a companhia. Dados publicados pelo governo local mostram que Ulanqab já fornece capacidade computacional para empresas como ByteDance, Huawei e Alibaba.
A cidade reúne mais de 100 projetos de data centers, com cerca de 650 mil racks construídos e 430 mil em operação. Mais de 95% de sua capacidade computacional é classificada como voltada à computação inteligente.
O clima também ajuda a explicar a concentração dos investimentos. Segundo as autoridades locais, os data centers conseguem utilizar o frio externo para refrigeração durante quase dez meses do ano, enquanto novos projetos operam com participação de energia renovável superior a 86%. A região ainda possui conexões de baixa latência com Pequim.
Quase US$ 30 bilhões levantados enquanto a corrida acelera
A expansão aparece justamente quando a ByteDance aumenta sua capacidade financeira para competir em IA.
A companhia conseguiu um empréstimo de US$ 29,6 bilhões junto a quase 30 bancos, segundo fontes ouvidas pela Reuters. O financiamento, inicialmente planejado em US$ 20 bilhões, cresceu após forte demanda dos credores e não exige ativos da ByteDance como garantia.
Embora formalmente destinado a fins corporativos gerais, fontes afirmaram que grande parte dos recursos deverá sustentar os planos de inteligência artificial da empresa. A ByteDance também já funciona como compradora contratada de capacidade de diversos data centers em construção no Sudeste Asiático.
Não há, porém, indicação de que esse empréstimo financiará diretamente o novo cluster na Mongólia Interior.
Chips também entram na equação
O avanço em data centers ocorre em paralelo a uma tentativa de ampliar o acesso da ByteDance a chips de IA produzidos dentro da China.
Em junho, a Reuters revelou que a empresa negociava a compra de pelo menos 50 mil aceleradores da chinesa Iluvatar CoreX, destinados principalmente a tarefas de inferência. A ByteDance também avaliava chips Kunlunxin, da Baidu, enquanto Huawei e Cambricon já apareciam entre seus principais fornecedores domésticos.
Esse movimento é particularmente importante para produtos como o Doubao, principal plataforma de IA da ByteDance na China, porque inferência é justamente a capacidade necessária para responder às solicitações de milhões de usuários.
O conjunto dos investimentos mostra uma ByteDance cada vez menos dependente apenas do TikTok e do Douyin como motores de crescimento. A empresa está construindo simultaneamente modelos, produtos, chips e infraestrutura física para disputar diretamente uma das partes mais caras da corrida da inteligência artificial: quem consegue colocar mais capacidade computacional em operação.



