O comércio realizado por agentes de inteligência artificial ainda responde por menos de 1% da atividade global de e-commerce, apesar do avanço de ferramentas capazes de pesquisar produtos e executar compras em nome dos usuários. A estimativa aparece em uma análise da Bernstein divulgada no sábado (12), em meio a novos lançamentos de Meta e Anthropic.

Uma medição separada da Mastercard aponta uma participação ainda menor quando são consideradas apenas transações efetivamente mediadas por agentes: cerca de 0,4% do e-commerce global em volume e 0,2% em valor. A diferença mostra que boa parte do uso atual da IA no varejo continua concentrada em pesquisa, comparação e recomendação de produtos, antes da etapa de pagamento.

O tráfego vindo de sistemas de IA já tem peso maior em alguns varejistas. Dados citados pela Bernstein indicam que referências geradas por IA chegaram a representar 39% do tráfego de referência da Wayfair, 28% do Walmart e 25% da Target em agosto. Mesmo nesses casos, porém, essa origem corresponde a apenas 1% a 2% do tráfego total das plataformas.

Meta e Anthropic ampliam ferramentas para compras com IA

A Meta lançou em 8 de setembro o Muse, agente pessoal capaz de navegar pela internet, preencher formulários e realizar tarefas em nome do usuário. Para compras, o sistema pode usar o Link, da Stripe, que gera um cartão de uso único, enquanto a integração com o Shop Pay está prevista para ser adicionada posteriormente.

A Anthropic, por sua vez, apresentou neste mês um conjunto de ferramentas para empresas criarem agentes de comércio baseados no Claude. O pacote inclui implementações de referência para agentes voltados tanto ao consumidor quanto aos comerciantes em setores como varejo, viagens e telecomunicações. A empresa afirma que clientes que já utilizam agentes de compras construídos com Claude registraram carrinhos até 35% maiores e probabilidade de conclusão de compra até 60% superior.

A adoção ainda enfrenta uma barreira de confiança. Um relatório da Mastercard publicado neste ano aponta que apenas um em cada dez consumidores está disposto a permitir que um agente conclua uma compra de forma autônoma. A companhia identifica mecanismos de identidade, autorização e controle como elementos necessários para ampliar o uso desses sistemas em pagamentos.

Para empresas de pagamentos, a expansão desse mercado pode aumentar a demanda por cartões tokenizados e outros mecanismos que permitam aos agentes efetuar compras sem receber acesso direto às credenciais financeiras do usuário. A Bernstein avalia que Visa, Mastercard e processadores como Adyen podem se beneficiar dessa mudança à medida que agentes avancem da recomendação para a execução das transações.

Continue no Radar